19 de outubro de 2012

A TATUAGEM DE GANESHA NA PANTURRILHA DA PERNA DIREITA



HUMBERTO MENEGHIN


Quem se predispõe a fazer uma tatuagem pelo corpo definitivamente vai a procura de um bom tatuador; aquele que é versado na arte de tatuar imagens, figuras de diversos tipos, formatos e padrão. Uma vez escolhido o artista, aquele ou aquela que irá passar pela ação de receber a tatuagem necessita escolher a imagem que gostaria de ter pelo corpo, se ainda não o fez. E, ainda, onde essa imagem será colocada. Para ajudar, folheia um álbum que contem muitos modelos de tatoos e várias fotos dos trabalhos que o artista fez. Indeciso, o cliente acaba recebendo a sugestão de que aquele Deus Hindu com cabeça de elefante poderia lhe ficar bem, que lhe traria proteção e abertura de caminhos.  Mas, será que simplesmente tatuar a imagem de Ganesha pelo corpo de uma pessoa que o ache “interessante” é viável?




A devoção por Deuses e Deusas Hindus geralmente é demonstrada em festivais específicos para cada um deles, seja nos templos, junto a Natureza, em rios na forma de uma oferenda, puja, de acordo com os costumes hinduístas. Muitos pedidos são feitos e as muitas barreiras, os muitos obstáculos para serem transpostos necessitam, na verdade, da pura crença, fé dos devotos, seja qual for a deidade.

Dificilmente aquele ou aquela que tatua uma deidade pelo corpo é realmente devoto da mesma; alguns a fazem por fazer porque acharam-na bonita, outros por sugestão; mas, será que o verdadeiro devoto ou devota tatuaria um Deus ou Deusa pelo corpo? Você já viu algum indiano ou indiana ostentar tais tatuagens pelo corpo? Pode ser que exista, mas isso será incomum.




Aqui no ocidente, pelo contrário, parece que é bem mais fácil encontrar alguém que apresente uma tatuagem de uma deidade hindu em alguma parte do corpo, até mesmo nas partes menos indicadas, o que pode talvez ser considerado um desrespeito para com a deidade e todos aqueles que a cultuam.




A tatuagem de Ganesha na panturrilha direita da perna de alguém foi identificada e até questionada por quem a percebeu. O questionamento foi simples: se o tatuado sabia quem era Ganesha e se era devoto deste Deus.




Evidentemente indeciso, o tatuado, não respondeu e esperou que aquele que o questionou primeiro falasse para depois confirmar que “foi isso que me disseram”. Mas será mesmo que disseram?

Possivelmente o artista disse alguma coisa sobre Ganesha; mas, tatuar uma deidade hindu pelo corpo é uma decisão muito séria; não é? Pois talvez quem sabe quem é Ganesha e o que ele representa e até mesmo o cultua, jamais se predisporia a tatuá-lo em alguma parte do corpo. Logicamente que existem exceções.




No entanto, aquele que notou a imagem e que de vez enquanto faz um mantra para Ganesha, teve a nítida certeza de que esse Deus muito adorado pelos Hindus está presente. O mesmo acontece quando inesperadamente nos deparamos com alguém trajando uma camiseta em que a deidade que cultuamos presente está.

Assim, aquele ou aquela que por mera vaidade resolve tatuar pelo corpo a imagem de Ganesha, Shiva, Krishna, estará exercendo sem saber o importante papel de propagar a energia que eles passam e ainda transmitindo para os devotos que a notam a seguinte mensagem: “estou com você, confie”.

Harih Om!

3 comentários:

  1. eu estou pensando em tatuar Ganesha, mas ainda não decidi o lugar que farei, e o artigo também me fez pensar melhor sobre o assunto, realmente muito interessante...

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  2. Eu tenho verdadeiro amor pelo sudeste asiático, onde este Deus é tão cultuado. A viagem a este continente me marcou de tal maneira que não me restou outra homenagem senão uma linda tatuagem de ganesha, representando seus maravilhosos fieís a quem tiver oportunidade de conhecer.

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  3. Gosto muito deste artigo.
    Apesar de estarem bem claros seus argumentos contrários às tatuagens levianas - através de termos como "mera vaidade", entre outros - o autor não é cruel e nem julga as pessoas que fazem/possuem as tatuagens.
    Demonstra, sem dramas, a grandiosidade das deidades e a responsabilidade que reside nesta noção.
    Mas faz questionamentos de maneira generosamente respeitosa.
    Muito bom. Obrigada pela reflexão.

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